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Disparada na irrigação

21 de Dezembro de 2020 - Após severa estiagem, produtor gaúcho aposta na tecnologia para aumentar produção
Disparada na irrigação

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Em São Luiz Gonzaga o produtor de grãos e sementes Régis Augusto Giovelli já conhece a tecnologia de longa data. Ele conta que a ideia de irrigar as lavouras de milho e soja aconteceu a partir dos prejuízos amargados após a seca de 2004/2005. De lá para cá, a fazenda vem ampliando o número de pivôs a cada safra. Atualmente, são 17 equipamentos, proporcionado uma cobertura de 30% da plantação. A meta, segundo Giovelli, é alcançar metade da área total da propriedade.

No final da última safra, em maio, o produtor adquiriu quatro novas estruturas, que foram montadas durante o inverno. “Como se falava em um novo La Niña na primavera, tratei de correr para poder usar os pivôs já na safra 2020/2021”, relata o irrigante. Giovelli explica que a área irrigada produz, em média, 200 sacos de milho e até 90 sacos de soja por hectare. Na lavoura de sequeiro, durante um episódio de estiagem, dependendo da severidade, esta produtividade se reduz para menos da metade. O produtor conta que, neste segundo semestre, a seca já provocou uma quebra de 70% no milho plantado na região, enquanto que o grão irrigado, apesar de sofrer com a temperatura, tem apresentado um potencial produtivo superior a 180 sacos por hectare.

Para os interessados em começar a irrigar suas áreas, Giovelli recomenda um planejamento de pelo menos um ano para concretizar os projetos. Ele lembra que a instalação das estruturas é apenas uma das etapas do processo, que é precedido pelas licenças ambientais, melhoria da rede de energia elétrica, escolha, compra e instalação dos equipamentos.

O irrigante avalia que, nos últimos anos, o Estado avançou em alguns pontos. Um deles foi a redução do prazo de obtenção da outorga do uso de água junto aos órgãos ambientais, documento necessário para a operação dos equipamentos. “Nos anos 2000 se levava três anos para conseguir a outorga e isto travou muitos negócios na época”, conta. Também considera que houve evolução na oferta de crédito e menores juros bancários para quem quer investir.

No entanto, o produtor considera que o problema maior tem sido a questão do fornecimento de energia elétrica. Em função desta deficiência, parte dos pivôs da propriedade tem sido “tocada” por diesel. “Só que óleo diesel praticamente dobra o custo da hora irrigada”, diz. Apesar dos obstáculos, ele recomenda o investimento. “Irrigação serve para dar estabilidade no fluxo de caixa e garantia de renda”, destaca o produtor de sementes.

Por Cíntia Marchi

Fonte: correio do povo

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